Descrição
A Medicina Chinesa, ao longo da sua extensa história, concebeu e aplicou diferentes modelos de diagnóstico, alguns simples e outros complexos, em qualquer caso, muitos modelos a estudar com diferentes autores e com diversas traduções. Após a revisão que efetuámos dos textos clássicos, sabemos que “herdámos” uma boa base informativa sobre os aspetos diagnósticos, mas que falta um modelo integrador que una os diferentes modelos e formas de adoecer, entendidos da perspetiva da medicina ocidental e da medicina chinesa, sempre orientados para o paciente.
A fisiopatologia ocidental desenvolve de forma objetiva e com muita precisão os processos biológicos desde a bioquímica à fisiologia, mas é de muito difícil integração com outras filosofias e correntes de pensamento sobre a saúde. É este, entendemos que é o nosso contributo, da consideração de ambos os modelos de pensamento nasce uma nova abordagem do diagnóstico diferencial baseado no conceito das Quatro Camadas, integrando os Seis Planos, os Zāng Fǔ, os colaterais, os Vasos Maravilhosos, o Shén, e as diferentes formas de energia (nutritiva, defensiva e original), que permite explicar a fisiopatologia ocidental. Levou-nos um ano e meio a integrar ideias, conceitos, partilhar entre nós modelos práticos que conduzissem a ser capazes de incorporar princípios da fisiologia ocidental a um modelo ou padrão diagnóstico (que reunisse todos os possíveis “quebra-cabeças” diagnósticos orientais). Acreditamos ter alcançado um avanço muito significativo, que permitirá a revisão sistemática de estudos já realizados, e que abrirá portas a novas formas metodológicas de integrar ambas as medicinas.
A obra é subtitulada “Diagnóstico e Terapêutica” pois o enfoque reside em dar a conhecer e diferenciar uma patologia ocidental e, a partir deste conhecimento, abordar um diagnóstico diferencial oriental, sempre de acordo com as características individuais do nosso paciente. Desta forma, a Acupuntura Energética que defendemos, apresenta um modelo que permite revisar a fisiopatologia ocidental a partir do novo modelo de “Quatro Camadas”. Podendo, a partir desta integração, uma abordagem clínica mais eficaz e completa, pois o laboratório ocidental, os exames de imagem, a auscultação e a percussão, etc., adquirem o mesmo valor que a tomada do pulso, a observação da língua ou o interrogatório sistematizado.
Não é possível avançar na medicina holística, se negarmos os avanços tecnológicos em saúde, que permitem um estudo cada vez mais detalhado, tanto das estruturas profundas como dos níveis moleculares. Mas também não será completo, se não integrarmos o doente no processo patológico. Ambos os caminhos, unificam-se para conseguir uma maravilhosa jornada rumo a uma nova forma de entender as medicinas chinesa e ocidental, sem perder o valor cosmológico que integra o ser humano com o ecossistema. Este é o nosso caminho, o nosso desejo e o nosso objetivo.